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Muito além das criptomoedas, hoje em dia parece que dá pra encontrar o blockchain em praticamente todo o lugar, não é mesmo? Da logística das eleições à proteção da propriedade intelectual de músicos e bloggers, até a melhoria dos processos em clínicas e hospitais, as aplicações dessa nova tecnologia são inúmeras! Entre tantos casos de uso assim, será que existiria algum relacionado ao varejo?

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Mas é claro que sim! Conforme você vai descobrir nesse artigo, muitas das características que tornam o blockchain tão atrativo para outras indústrias também são relevantes para redes de supermercados – e podem inclusive alterar o modo como consumimos diversos produtos. Despertamos o seu interesse no tópico? Então fique ligado nesse post para entender melhor como essa nova tecnologia pode ser usada pelo varejo!

Quais são os maiores problemas do varejo atualmente?

O avanço da tecnologia nas últimas décadas, a complexidade das cadeias de produção e os novos hábitos dos consumidores têm contribuído para alterar a maneira que o varejo conduz seus negócios. Neste post, nós vamos abordar os principais problemas enfrentados atualmente e apontar como o blockchain poderia ajudar a resolvê-los. Vamos lá?

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Consumidores conscientes, cadeias de produção opacas

Cada vez mais os consumidores se conscientizam e passam a demonstrar preocupação sobre a origem dos produtos que consomem. Com isso, o mercado para produtos orgânicos, fair trade (“comércio justo”, ou seja, que seguiram regras éticas em sua produção, como o pagamento de um salário digno para os empregados) ou cruelty-free (livre de crueldade, sobretudo no tratamento a animais) se expande a cada ano.

Essa tomada de consciência é excelente, mas ela traz um pequeno problema… É praticamente impossível saber se os fabricantes estão falando a verdade e realmente se portam de modo ético, ou se apenas querem tirar vantagem desse movimento – sobretudo porque produtos “conscientes” tendem a ser mais caros que os normais! Como saber se aquelas frutas são realmente orgânicas, ou se a empresa que responsável pelo cosmético que você vai comprar de fato não realizou testes com animais?

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A solução encontrada pelo mercado foi a das certificações. Produtores que sigam as regras de comércio justo, por exemplo, podem conseguir uma licença para usar o Selo Fair Trade, emitidos por instituições certificadoras como a FLO (Fairtrade Labelling Organizations International). Orgânicos seguem uma lógica similar, sendo que os produtos devem ser previamente registrados também no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e acreditados pelo Inmetro.

Soa meio complicado e burocrático, né? E é mesmo! Pra piorar, esse não é nem de longe o único problema atualmente enfrentado pelo varejo.

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Dificuldade no rastreamento da producão

Com raríssimas exceções, praticamente tudo o que consumimos é produzido em uma longa cadeia. Tome como exemplo o smarthphone ou computador no qual você está lendo este artigo agora. Eles contém peças vindas de mais de uma dúzia de países, são montados em uma fábrica na Ásia, e depois exportados para o resto do mundo.

Por conta disso, as atuais cadeias de produção têm se tornado extremamente intrincadas, com diversos produtores e subprodutores contribuindo para a mercadoria final que compramos. E, como você pode imaginar, gerir essas cadeias complexas não é tarefa nem um pouco fácil!

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Isso se torna especialmente grave quando o produto apresenta algum defeito. Como saber exatamente em qual ponto da cadeia se deu o erro em questão? Se você vai a uma rede de fast food e acaba com uma intoxicação alimentar, por exemplo, como a gerência do estabelecimento pode ter certeza de qual produto estava contaminado e de como essa contaminação ocorreu?

Apresentando o blockchain para o varejo

O blockchain, uma base de dados distribuída e descentralizada, na qual informações diversas podem ser registradas de modo permanente e imutável, tem sido visto como uma ferramenta interessante para reduzir os problemas enfrentados pelo varejo. Isso ocorre porque ele pode contribuir para aumentar a transparência nas cadeias de produção, permitindo que consumidores e empresas possam acompanhar melhor a trajetória dos produtos.

No caso de produtos orgânicos, fair trade ou cruelty-free, por exemplo, passa a ser possível que o cliente confira a sua origem e rastreie o processo de produção, indo além da mera conferência das certificações nos rótulos. Várias startups têm desenvolvido projetos nesse sentido, como a Provenance, que conta com o blockchain para garantir que produtores de coco na Indonésia recebam salários justos, e a Everledger, que rastreia diamantes para garantir que eles não venham de zonas de conflito (os chamados diamantes de sangue). Como as informações armazenadas nesses sistemas não podem ser alteradas, a chance de que fraudes ocorram no meio do caminho é reduzida.

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Para grandes empresas, o blockchain pode ajudar a automatizar a cadeia de produção e a simplificar processos através do uso de smart contracts, os contratos inteligentes, além de também conseguirem maior eficiciência no rastreamento de produtos. Vários projetos, inclusive, já estão sendo desenvolvidos para essa finalidade. A rede de supermercados Wallmart, por exemplo, em parceria com a IBM, têm testado a tecnologia para rastrear carne de porco na China. Essa possibilidade de rastreamento está se mostrando é particularmente interessante para indústrias sensiveis, como a de alimentos e medicamentos, que precisam acompanhar com grau de precisão máxima os processos, tanto internos quanto de terceiros envolvidos.

E aí, curtiu descobrir como o blockchain pode levar a novos padrões de consumo para a nossa sociedade? Com ele, nós passamos a possuir meios para identificar se a informação dada pelo negócio é realmente verdadeira, assim como garantir que o produto que consumimos passou por uma cadeia de produção confiável e sustentável.