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Blockchain – a tecnologia por trás do Bitcoin – tem sido notícia nos últimos tempos

Os bancos acham que pode ser o futuro das transações financeiras, enquanto garimpeiros esperam que ele ajude a acabar com o comércio ilegal de diamantes.

Nesta semana o diretor do conselho científico inglês encorajou o governo britânico a adotar a tecnologia.

Mas o que exatamente ela é e por quê está causando tanto alvoroço? A Tecnologia dos Negócios (tenta) explicar.

Tem algo a ver com bicicletas? (bloco – corrente hm!?)

Não. O Blockchain é um método de gravar dados – um livro-razão de transações, acordos, contratos – quaisquer que necessitem ser registrados independentemente e verificados sempre que houver necessidade.

A grande diferença é que este livro-razão (ledger) não é armazenado em um só lugar, mas distribuído através de centenas ou milhares de computadores através do mundo.

E todos na rede podem ter acesso a uma versão atualizada do livro-razão, o que o faz muito transparente.

Mas o que ele faz exatamente?

Registros digitais são organizados juntos em ‘blocos’ (blocks) e então unidos criptograficamente e cronologicamente em uma ‘corrente’ ou ‘cadeia’ (chain) utilizando algorítmos matemáticos muito complexos.

Este processo de criptografia, conhecido como “hashing” é feito por diversos e diferentes computadores. Se todos concordam com o resultado obtido, o bloco recebe uma assinatura digital única.

“Você não armazena detalhes da transação, somente o fato de que ela aconteceu e o hash da transação”, explica Adrian Nish, chefe de inteligência contra ameaças da BAE Systems.

Uma vez atualizado, o livro-razão não pode ser alterado ou adulterado, somente podendo ser acrescido de novas informações e então ser atualizado para todos na rede ao mesmo tempo.

E o que há de tão brilhante nisso?

Bom, a natureza distribuída de um banco de dados blockchain faz com que seja complicado ser atacado por hackers – eles devem conseguir acesso a todas as cópias do banco de dados simultaneamente para obterem sucesso.

Isso também mantém a segurança dos dados e a privacidade porque o hash não pode ser convertido novamente para a informação original – é um processo unidirecional.

Então se o documento original ou a transação relacionada forem alterados, será produzido uma assinatura digital diferente alertando a rede para o problema.

Em teoria então, utilizar o blockchain diminui o risco de fraudes e erros, tornando-os mais fáceis de detectar.

É uma coisa nova?

A idéia já está por aí por aproximadamente duas décadas, mas ganhou proeminência em 2008 com a invenção do Bitcoin, a moeda digital.

Bitcoins são criados por computadores resolvendo enigmas matemáticos muito complexos e isso requer um poder computacional muito grande além de um consumo muito alto de eletricidade. E o Blockchain é a tecnologia por trás disso, que a sustenta.

Mas não há apenas um programa – muitas empresas, do Ethereum à Microsoft, estão desenvolvendo seus próprios serviços baseados em blockchain. Alguns são abertos à todos (“unpermissioned“), outros são restritos somente a um seleto grupo (“permissioned“).

Por que os bancos estão tão excitados?

“Bancos fazem coisas muito similares uns aos outros, tornando difícil a competição”, disse Simon Taylor, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento blockchain da Barclays.

“Eles basicamente deixam seu dinheiro guardado e um grande computador rastreia de quem ele era. Mas fazer esses computadores conversarem entre si é expressivamente complexo e caro – a tecnologia já está um pouco ultrapassada”, complementa.

Se os bancos começarem a compartilhar informações utilizando uma versão customizada de blockchain, eles podem remover o intermediário, eliminar vários processos manuais e agilizar as transações, continua Sr. Taylor, além de reduzir custos.

Tendo acesso a um livro-razão aberto e transparente, as transações podem inclusive ser utilizadas pelos reguladores. E isso ajudaria aos governos a combaterem fraudes fiscais.

A compania R3 CEV convenceu 40 bancos em torno do planeta, inclusive o Barclays, UBS e Wells Fargo, a se unirem em um consórcio para explorar a tecnologia de livros-razão distribuídos (blockchain).

Somente nessa semana, o R3 anunciou que 11 instituições financeiras globais tomaram parte em um experimento que envolve a troca de ativos digitais (tokens) através de uma rede privada global, sem a necessidade de um banco central para verificá-los.

“Ainda é muito cedo para a tecnologia, mas o potencial é fenomenal”, conclui Sr. Taylor.

Isso tem a ver comigo?

Se bancos e outras instituições financeiras são capazes de aumentar a velocidade com que transações são feitas, diminuindo os custos de todo o sistema, significa que serão mais baratas e com serviços mais eficientes para nós. Por exemplo, enviar qualquer quantia para qualquer lugar será quase que instantâneo.

No último ano, o banco de investimentos Goldman Sachs e a empresa chinesa de investimentos IDG Capital Partners investiram USD$50m na Circle Internet Financial, uma startup que visa explorar a tecnologia blockchain para melhorar as transferências de dinheiro.

A Circle, co-fundada pelo empreendedor Jeremy Allaire, criou uma carteira digital para bitcoins mas os usuários podem decidir se querem enviar ou receber em dólares também. A idéia é fazer transferências internacionais e pagamentos tão simples quanto enviar uma mensagem ou email.

Você mencionou diamantes?

Ah, sim. Não é tudo sobre bancos. A empresa de tecnologia Everledger está utilizando o blockchain para desenvolver um sistema de garantias que permitirá às empresas mineradoras verificarem se seus diamantes brutos não estão sendo utilizados por milícias para financiar conflitos, e eles cumprem compliance com o Processo Kimberley – um esquema de certificação governamental apoiada publicamente.

O histórico de propriedade e valor de cada diamante fica disponível para qualquer pessoa e você pode confiar que essa informação não pode ser adulterada ou corrompida.

Em seis meses de operação, a Everledger adicionou quase 850.000 diamantes em seu blockchain desde então.

Há outros exemplos?

A empresa de tecnologia da Estônia, Guardtime, está à frente de uma transformação digital no país, usando sua versão de blockchain – Infraestrutura de Assinatura sem Chaves – para ajudar o governo a gerenciar e proteger dados de cidadãos em torno de 1000 serviços online.

“Nós estamos administrando dados em escala massiva”, Matt Johnson, CTO da empresa, disse à BBC.

“Nós aplicamos essa capacidade de cyber-segurança, promovendo detecção em tempo real de adulterações para proteger a infraestrutura crítica”, diz ele. “Também estamos auxiliando empresas globais de telecom, como Ericsson, a proteger e monitorar a integridade dos núcleos das suas redes.

Na era do big data e da internet das coisas, ser capaz de associar a assinatura digital para cada bit de dados é muito útil, sugere Sr. Johnson.

E a verificação e gravação de cada estágio no desenvolvimento de software ou produto pode ajudar a melhorar a qualidade e eficiência, ele complementa.

Nós podemos não entender o blockchain muito bem ainda, mas parece que sua influência será profunda.

Este texto é uma tradução. A publicação original pode ser conferida neste link.