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Alegações de fraude nas eleições infelizmente não são nenhuma novidade. Do caos no estado norte-americano da Carolina do Norte, no qual as cédulas de pessoas ausentes foram adulteradas, à votação para a presidência do Senado no Brasil, em que 82 votos foram lançados em uma Câmara que possui apenas 81 senadores, esses escândalos afetam não só a nossa confiança no sistema eleitoral, mas na própria democracia.

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Por causa disso, a demanda por sistemas de votação com mais segurança e transparência cresce a cada dia. Nas últimas três décadas, alguns marcos importantes foram alcançados, com muitos países, como a Estônia e o Brasil, implementando sistemas de votação eletrônica, que são muito mais confiáveis do que suas contrapartes em papel.

A votação eletrônica atualmente pode ser feita de duas maneiras: em um local físico com máquinas de votação (no caso brasileiro, a urna eletrônica), sob a supervisão das autoridades competentes, ou remotamente, através da internet (o que pode ser feito na Estônia). Em ambas, no entanto, os votos acabam em uma caixa preta depois que são lançados, e nós temos que confiar na agência ou organização encarregada de contabilizá-los de que eles o farão corretamente.

Por causa disso, nos últimos anos uma terceira via interessante, que é nosso foco aqui, vem ganhando força: eleições baseadas em blockchain. Vamos falar sobre isso então, pode ser?

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Eleições no blockchain?

Nós já falamos anteriormente sobre os benefícios do uso de blockchain nas eleições, mas vamos recapitular rapidinho aqui. Com ele, você pode ter:

  • uma verificação mais segura da identidade do eleitor através de uma Identidade Blockchain;
  • mais transparência, tornando a auditoria de votos muito mais simples;
  • a impossibilidade de alterar o resultado, já que as informações registradas no blockchain são imutáveis;
  • resultados mais seguros e rápidos, pois não podem ser alterados e podem ser verificados em tempo real;
  • redução de custos, minimizando a infraestrutura mobilizada pelo poder público;
  • maior participação, especialmente de eleitores com dificuldade de locomoção ou que estejam domiciliados no exterior.

Mesmo com todas essas vantagens, contudo, as eleições baseadas em blockchain ainda enfrentavam um dilema bem complicado: quando conduzidas em blockchains públicos, elas eram mais transparentes, mas sua abertura significava que os votos não eram secretos; por outro lado, quando feitas em blockchains privados, era impossível verificar o resultado e a teria que se confiar totalmente na autoridade central que detinha a chave privada.

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Apresentando Hääl, o novo protocolo OriginalMy

É exatamente por isso que desenvolvemos o protocolo Hääl, reunindo o melhor dos dois mundos: a transparência e a auditabilidade dos blockchains públicos e a privacidade e o sigilo das plataformas privadas. Você pode ler o whitepaper aqui e ver a prova de conceito aqui.

Isso é possível porque Hääl usa criptografia de última geração, como os zk-snarks (que significa “Zero-Knowledge Succinct Non-Interactive Argument of Knowledge”, caso você esteja se perguntando), além de uma modificação do Stealth Address, originalmente do Bitcoin e agora adaptado para o blockchain Ethereum, e o algoritmo Paillier de Criptografia Homomórfica. Entendeu tudo, né?

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Tenho certeza que você entendeu, mas caso tenha ficado alguma pontinha solta, não precisa entrar em pânico que eu já vou explicar. Basicamente, nós estamos usando várias tecnologias avançadas para garantir que possamos, ao mesmo tempo, ter um sistema de votação que seja público e verificável, mas que ainda guarde o segredo sobre para quem você votou.

Para isso, o Hääl é composto por cinco fases distintas: configuração da votação, validação do usuário, votação, contagem e auditoria.

  1. Na fase de Configuração, os administradores de votação e do smart contract (contrato inteligente) devem configurar o ambiente para a sessão de votação (com tarefas como criar o o par de chaves criptográficas e publicar o contrato inteligente de verificação);
  2. Na segunda fase, a identidade do eleitor é verificada para se certificar de que ele ou ela cumpre os critérios para votar e realmente é quem afirma ser. Isso pode ser feito, inclusive, através do Blockchain ID, ou Identidade Blockchain;
  3. Na fase de votação, o eleitor seguirá um procedimento para descobrir a carteira de eleitores, votar, preencher a cédula e assiná-la com sua identidade validada, criptografá-la e criar uma prova de voto;
  4. Os votos são então computados por um contrato inteligente que adiciona os valores de todas as cédulas e publica o resultado, que será decodificado pelo administrador da votação;
  5. Na fase final, a auditoria pode ser realizada por eleitores, administradores de votação e qualquer auditor confiável e neutro, garantindo que o resultado esteja correto. É interessante notar que o eleitor pode verificar se sua cédula foi devidamente contabilizada, mas é impossível para os administradores saberem em quem alguém votou, garantindo assim o voto secreto.

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Em resumo, embora administradores ainda sejam necessários para executar a votação, eles não são mais capazes de manipular votos ou contabilizá-los em uma caixa preta. Por causa disso, podemos ter eleições que não são apenas mais convenientes para os eleitores, mas também mais baratas, mais transparentes e mais seguras do que com outros modelos, sejam eles baseados em papel, eletrônicos ou até mesmo em blockchains que usem protocolos diferentes.

Hääl e o futuro da votação

Uma curiosidade: Hääl significa “voz” em estoniano, um nome escolhido porque acreditamos que esse protocolo pode realmente ser a voz das pessoas, empoderando-as através do voto para que possam construir uma sociedade melhor.

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Vale ressaltar também que o uso do Hääl não se limita a eleições públicas. Pelo contrário, o voto baseado em blockchain pode ser usado em empresas e em qualquer outro tipo de associação. A Associação Brasileira de Fintechs, por exemplo, usou blockchain, em setembro de 2018, para conduzir as eleições de sua nova diretoria. Essa eleição, a propósito, foi feita com a tecnologia da OriginalMy e foi a primeira desse tipo no Brasil.

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Para dar um exemplo concreto, em companhias abertas é muito comum que os acionistas usem o voto por procuração para tomar decisões – um sistema que não é exatamente o mais confiável. Em 2017, apenas quatro empresas tiveram que gastar mais de 140 milhões de dólares para lidar com problemas relacionados ao voto por procuração. É por isso que o próximo item do nosso roadmap é implementar o Hääl em uma votação de acionistas ainda ESTE ANO!

Este é apenas o começo de uma longa jornada, e não poderíamos estar mais animados sobre aonde estamos indo. Quem vem com a gente?